Faz mal comer scat?

Oi pessoal, tudo certinho?

Umas das coisas mais comuns que vejo na internet sobre scat é a vontade de algumas pessoas em comer scat. Bom, se você já pensou se isso faz mal ou se já pratica, ou ainda está pensando em comer, esse texto é pra você. 

Bora lá!

Antes de tudo: do que o scat é feito?

Para começar essa conversa acho válido começar explicando do que é feito o nosso cocô. Então vamos sair do  fetiche e focar na ciência.

Fezes são o resultado final da digestão. Tudo aquilo que o corpo não absorveu ou não precisou reaproveitar termina ali. Isso inclui restos de alimentos, fibras, água, bactérias intestinais e resíduos metabólicos. 

Nosso intestino, inclusive, é um ambiente vivo. Ele abriga trilhões de bactérias que ajudam na digestão, na imunidade e até na produção de certos hormônios. Dentro do intestino, essas bactérias fazem um trabalho importante. Porém, fora dele, simplesmente não estão no lugar para o qual foram pensadas

Outro ponto interessante é que o cocô muda o tempo todo. Alimentação, hidratação, estresse, uso de droga, medicamentos… tudo isso influencia o que sai. O cocô de uma pessoa nunca é igual ao de outra, e nem o da mesma pessoa é sempre igual

E isso não é um problema em si. É só um dado da realidade. Do ponto de vista da saúde, fezes não são limpas, mesmo quando parecem inofensivas. Entender isso não é pra gerar medo, mas pra ajudar a entender o nosso fetiche e como ele se relaciona com nossa saúde

 
 

Então… faz mal comer scat?

A resposta curta seria: sim, pode fazer mal.

Mas a resposta real, a que importa de verdade, é um pouco mais complexa.

Não é um “nunca pode” absoluto, nem um “vai dar ruim”. É mais um depende.

Depende de como, de quanto, de quem, do contexto, da preparação, da frequência e, principalmente, do nível de informação envolvido.

Do ponto de vista biológico, comer scat não é algo neutro. O corpo não foi feito pra reprocessar aquilo que ele mesmo decidiu eliminar. Isso significa que o risco existe e sempre vai existir em algum nível. Mas risco, por si só, não significa impossibilidade.

Se parar pra pensar, a gente convive com riscos o tempo todo no sexo: sexo sem camisinha, troca de fluidos, práticas mais agressivas… tudo isso carrega algum grau de risco, e mesmo assim ninguém deixa de praticar.

O ponto não é fingir que comer scat é seguro. O ponto é entender que não é uma roleta russa automática, especialmente quando há cuidado, comunicação e redução de danos.

Tem gente que pratica de forma pontual, com poucas quantidades, com parceiros fixos, com preparação, e nunca teve problemas. Novamente, isso não anula o risco, mas mostra que a prática não é um botão de autodestruição.

Então, faz mal? Pode fazer.
É impossível de praticar? Não.
É algo que exige consciência, limite e responsabilidade? Com certeza.

É justamente por isso que esse texto existe. Não pra dizer “faça” ou “não faça”, mas pra ajudar você a decidir sabendo onde está pisando.

 

Quais são os riscos reais envolvidos?

Beleza, você decidiu praticar, então vamos entender quais os riscos. 

Riscos bacterianos

  • Salmonella
  • E. coli
  • Campylobacter
  • Outras bactérias intestinais que podem causar infecção

Riscos parasitários

  • Vermes e protozoários
  • Nem sempre exames detectam tudo
  • A pessoa pode ser portadora sem saber

Riscos virais

  • Hepatite A
  • Transmissão fecal-oral é real e documentada

Riscos que podem ser imediatos

  • Náusea e vômito
  • Diarreia 
  • Dor abdominal
  • Febre e desidratação
 
 

E somente mastigar, sem engolir, faz menos mal?

É diferente, mas também não é 100% seguro. A boca é cheia de mucosas, gengivas sensíveis e pequenas microferidas invisíveis que conseguem absorver bactérias e vírus sem que nada precise ir pro estômago.

Língua, céu da boca e garganta também são portas de entrada. Uma afta, uma gengiva machucada ou até um pequeno corte já são suficientes pra permitir contaminação. 

Então sim, mastigar é diferente de engolir, mas a diferença está no grau, não na segurança. A contaminação não depende só de engolir, depende de contato. E lembrem-se, entender isso não é pra frear desejo, é somente para informar.

 

Para finalizar, a ideia deste texto sempre foi falar que desejo não é erro, fetiche não define caráter e curiosidade não é sinônimo de imprudência. Mas informação faz diferença. Entender riscos, limites e possibilidades ajuda a transformar o prazer em algo mais consciente e menos atravessado pelo medo ou pela culpa.

 Se você curtiu esse texto, comenta, compartilha, troca ideia. E se tiver algum tema que você quer ver por aqui, me conta. Esse espaço é feito pra isso.

1 Comment

  • […] No post anterior, a gente falou sobre os riscos de ingerir scat. E justamente por isso, decidi seguir nessa conversa e trazer este texto: um passo a passo focado em redução de danos, pra quem já decidiu praticar e quer fazer isso com mais consciência. […]

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